Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
...

 

Coloca uma palavra

no vale da minha mudez

e planta florestas de ambos os lados,

para que a minha boca

fique toda à sombra.

 

Ingeborg Bachmann

 



Publicado por marta às 12:28
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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010
...

 

Para além da Livraria Poesia Incompleta,

o meu livro "Onde não estou, tu não existes"

da Editora Tea For One,

está agora disponível

nas Livrarias Artes e Letras,

e

Letra Livre.

 

 



Publicado por marta às 12:43
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...

 

They meet now and then

in a suspicious room

where you can call for love

even if it’s dark.

 

There are rumours

saying that we can beg

for unstoppable hours.

There’s a mirror

a conspiracy towards these lovers.

 

Because lust can be tempting

we see hands walking around the ceiling

 

Call it angel’s devilishness

And everything begins.

 



Publicado por marta às 01:27
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Sábado, 23 de Janeiro de 2010
...

 

A arte de amar? É saber acrescentar a um temperamento de vampiro, a discrição de uma anémona.

 

E.M. Cioran

 



Publicado por marta às 18:32
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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010
In a manner of speaking

 

 



Publicado por marta às 00:49
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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010
...

 

agora nada.

começa-me por aqui.

 



Publicado por marta às 13:24
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helena almeida

(1979)



Publicado por marta às 12:53
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Sábado, 16 de Janeiro de 2010
alfa. pendular. omega

 

inscrevo-me nesta hora demasiado pequena.
numa métrica
inexacta. palavra. ponto palavra.
a oscilação provoca-me
náusea. a corpo todo dorido,
uma paisagem de mim esborratada
pela velocidade. a existência entre um chão
orvalhado e a tua saliva como um rasto
na minha pele. abres-te em rotas misteriosas. como se de viagens
te fizesses. como se a tua língua fosse o veículo
que te serve. chegas. com pressa de chegar. adivinho-te
entre os lugares do meu corpo. todos os lugares do meu corpo
são terminais do teu. estações
rumorosas. de embarque.

anuncio-te uma verdade. como se fosse importante
digo-te há muito que te espero. muito.

aqui
duas asas de vidro. a transparência da minha pele
sob a tua boca. as pernas como linhas.
âncoras de ti.
férreo desejo temperado pelo fogo da alma. murmuro
uma mão e entro na boca das palavras. dedos como
sílabas. luminários
pedaços de mim. de ti.

são pequenas estas asas
de lumes tingidos. quase imperceptíveis degradés de sentidos. do sentido. estas coisas
são entre nós
memórias
onde nos guardamos para uma fronteira
de lírios em rosas. corolas de magníficas pétalas que desfolhas.
numa vulva às mãos cheias. e um agridoce sabor
de mel. e pimenta. lírios, meu amado, *dá-me lírios às mãos cheias,
para que eu espalhe flores
deslumbrantes*.


kandinsky13




num pinga pinga
lento as águas do céu. uma chuvilha de saliva astralina
que se explica aqui. a diluição exacta
que preside
à construção desta terra. desta terra de paisagem misturada.
a ausência pode ser uma velocidade alfa

pendular

omega. ó me ga. e o olhar alongar-se
numa invenção para a sobrevivência. sei de cor
os caminhos do meu olhar. sei de cor
a cor dos teus olhos. o ponto exacto em que me
refaço. o ponto exacto em que me diluo.

e depois como se nada mais fosse que caminho, primavera, sementeira
escreves árvore
e do teu ventre
desponta uma ramificada forma de me dizer
:quero-te minha ramo a ramo, grão a grão. descem essas luzes
fugidias, quase fugidias e com elas
vens nos pólens de vésperas anunciadas
nas madrugadas aveludadas da seiva
e do esperma. uma urgência
como pássaro azul rasando o infinito.
onde
mão, boca, palavras se desvendam. é fácil. tão fácil
falar com estas asas.

uma métrica inexacta. palavra. ponto palavra.
a oscilação
provoca-me a náusea das parições. o momento
em que o corpo se convulsiona na verdade. abrindo-se
como asa. como boca. como palavra.
na boca das palavras
a boca do corpo.

alfa. pendular. omega
são sete da manhã
e tenho os braços como verde de erva inesperada
mãos que de enxada te vão sulcando
uma boca
sementeira. não inadiável. assisto a esta paisagem
esborratada pela distância
à velocidade de um pensamento. palavra. ponto. palavra.

a hora mais pequena é esta. pendular.

regresso
a mim.

 

da Blimunda

 



Publicado por marta às 14:19
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010
...

 

Quando choro

é como se fosse com o mesmo fim

quando bebo água.

Tenho a ideia que respirarei melhor.

 

 



Publicado por marta às 00:32
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Sábado, 26 de Dezembro de 2009
...

 

Venho dizer deste estar aqui

numa fronteira que dificilmente amanhece.

Se conseguisse

as pálpebras fechadas contra a luz em que me desconheço

a casa retocada em feixes matinais.

 

Regresso às cartas antigas

percorrendo o exílio como se fosse de costas

admirando o medo com medo

neste fulgor tão discreto

que acontece de madrugada.

 

Volto à administração dos erros

interrogo-me sempre como se fosse a primeira vez.

 

Vou ficar nua

a degladiar a estação fria que nos interrompe.

 



Publicado por marta às 17:45
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